sexta-feira , 18 outubro 2019
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“JOPARA PORÔ INVADE TERRITÓRIO DO TERERÉ

O tereré ou terere é uma bebida típica da região fronteiriça, “Quem toma todos os dias sabe que não pode faltar na meia manhã ou meia tarde, faça frio ou faça calor o terere tem que estar presente nos nossos dias a dia” diz a jovem Liz Mendez, formada em pedagogia com pós graduação em psicopedagogia, de pai brasileiro e mãe paraguaia e que vem se destacando na região de fronteira ao criar a rede “Jopara Porã” onde explica a cultura e o significado das palavras nos idiomas guarani, espanhol e português.

Nos últimos dias após lançar um vídeo no “You Tube” explicando os comprimentos nos três idiomas a mesma falou do Tereré uma bebida típica de erva mate consumida na região de fronteira e em vários estados brasileiros.

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Tereré ou tererê é uma bebida típica sul-americana feita com a infusão da erva-mate (Ilex paraguariensis) em água fria.[1] De origem guarani, pode ser consumido com limãohortelã, entre outros.

Existem várias hipóteses que procuram explicar a origem do tereré:

Seria anterior à colonização europeia promovida por espanhóis e portugueses no território que hoje compreende Mato Grosso do SulParaguai e Argentina. Teria sido inventado pelos povos guaranis (tanto guaranis nhandevas como guaranis caiouás) e por etnias chaquenhas. Segundo esta hipótese, o tereré viria sendo consumido pelos índios guaranis desde tempos anteriores à invasão europeia da América, e, por volta do século XVII, os jesuítas teriam aprendido, com eles, as virtudes do mate (ka’a em guarani). Os jesuítas elogiaram os efeitos da erva, que dava força e vigor e matava a sede mais do que a água pura. A infusão é riquíssima em cafeína, daí o seu poder revigorante. Segundo alguns, os índios guaranis, além de tomar mate (ou tereré) usando, como bombilho (canudo para chupar a infusão), ossos de pássaros e finas taquaras (pois ainda não existiam as bombas de metal), também fumavam a folha bruta da erva-mate e usavam-na como rapé.

Teria sido inventado durante a Guerra do Chaco (1932-1935), quando as tropas teriam começado a beber a infusão fria, e não mais quente, de erva-mate, para não acender fogos que denunciariam sua posição, isso possivelmente na região de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, que, na época, pertencia ao Paraguai.

Teria sido inventado por mensú (escravos utilizados na colheita da erva-mate no Paraguai e na Argentina que existiram até meados do século XX). Eles teriam sido surpreendidos por capangas fazendo fogo para tomar mate e seriam, então, brutalmente torturados. Para evitar a tortura, teriam escolhido se alistar em fileiras do exército paraguaio, introduzindo, então, este costume no exército.

Os indígenas, ao levarem o gado de um lugar para outro em comitivas, usariam a erva para coar a água dos rios que era bebida por eles, de modo a evitar a esquistossomose.

Lenda da origem da Erva-Mate

A bebida mais consumida atualmente em Ponta Porã é o Tereré (feito com erva-mate verde, água e gelo). As rodas de tereré então são vistas em qualquer parte da cidade, unindo brasileiros e paraguaios. Por isso, as duas cidades (Ponta Porã e Pedro Juan Caballero) são consideradas cidades gêmeas por causa de sua proximidade cultural: a cultura fronteiriça.

Sobre a erva-mate, uma das lendas de sua origem refere-se a uma das passagens de Cristo pela terra americana. Jesus, Pedro e João, cansados e com fome chegaram a um riacho onde um velho alquebrado pelos anos, mas filósofo e humano pela vivência, recebe-os. Ele abriga-os, dando de beber a eles e prepara-lhes uma saborosa comida com a sua última galinha. Refeitos e dispostos, os três se erguem para reiniciar a caminhada.

Cristo, desejando então marcar o seu agradecimento à bondade, à humanidade e à fraternidade, dirigiu-se ao idoso hospedeiro dizendo-lhe que sua filha já falecida, tão bela e querida renasceria em um arbusto verde e encorpado, de folhas vigorosas, vivificantes, saborosas e restauradoras e guardaria vitalidade, disposição, saúde, amizade, e esperança para sempre. Alguns meses depois, ela a filha singular do velho rancheiro sepultada, ressurge da terra na forma de uma erveira.

Descrição

A erva

Diferentemente do mate quente, no tereré a erva pode ser colocado em um vidro (que tem mais capacidade volumétrica do que o porongo, o recipiente tradicional para mate). No Paraguai, o recipiente para o tereré chama-se guampa e é, geralmente, feito de chifre de boi e, por vezes, adornado com prata ou outro metal. Faz-se também “mates” (recipientes para tomar mate) de palosanto (Bulnesia sarmientoi). No Paraguai,[2] são fabricadas guampas inteiramente feitas de prata e ouro com alguns embutidos artesanais, mas agora muitas pessoas optam por comprar guampas de madeira ou de couro, totalmente revestidas de alumínio, com estilos modernos, cores personalizadas, logotipos, imagens e textos. Há também guampas de plástico.

Guampa e bomba

Recipiente da bebida

Tradicionalmente, o recipiente usado para servir o tereré é a guampa, fabricado com parte de um chifre de bovino, com uma das extremidades lacrada com madeira ou couro de boi, e todo o seu exterior revestido por verniz. Usa-se, também, um copo de alumínio ou vidro, ou canecas de louça.

bomba é utilizada para filtrar a infusão do tereré,[3] para que não se absorva o pó da erva triturada. Estas são feitas normalmente de alumínio, e nunca devem ser feitas de ferro por causa da oxidação, que altera o sabor da infusão. Também é possível se encontrar bombas feitas de ouroprataalpaca e aço inox. Tanto a bomba quanto a guampa podem ter adereços com figuras dos símbolos da família, iniciais de nome ou pedras preciosas.

A palavra “guampa”, apesar de ser em grafia espanhola e de ser utilizada em uma área em que a influência predominante é guarani, é de origem quéchua e significa precisamente “chifre”. O chifre bovino é frequentemente utilizado como recipiente em todo o Cone Sul. Por exemplo: o chifle (uma espécie de cantina ou caramañola) é feita de guampa de boi. Para beber o tereré, usa-se um bulbo de metal, por vezes de prata, que é inserido dentro do recipiente cheio de erva.

Preparo

Por as folhas da erva-mate serem cortadas grossas, ao contrário do chimarrão, o tereré não tem tantos problemas com o entupimento. Quando isso ocorre, geralmente é devido a uma grande quantidade de mate em pó, indicando má qualidade da erva usada.

Quanto ao líquido a ser usado para a infusão, o mais popular no Paraguai e também no Brasil é água gelada e, opcionalmente, gotas de limão, ou até mesmo suco de frutas. No Paraguai, costuma-se adicionar ervas e plantas medicinais à água. Outras combinações também são possíveis, porém não indicadas pelos consumidores mais tradicionais.

Modo de Preparo:

Coloca-se a erva-mate na guampa, aproximadamente 2/3;

Bate-se a erva-mate, virando a guampa em sentido diagonal, vedando a boca da guampa com a mão, de maneira a fazer com que a erva-mate ocupe toda a lateral da guampa e não caia;

Coloca-se a bomba na guampa;

Coloca-se a guampa de pé e acresce o líquido.

Cultura e costumes

A bebida tereré, assim como todos os aspectos a ela relacionados, é uma tradição praticamente inerente ao Paraguai, mas há variações regionais sobre a sua preparação e formas de consumo. Normalmente, é consumida em rodas de amigos ao final da tarde e todos compartilham da mesma guampa. Utilizam-se, muito frequentemente, as expressões “téres”, “téras”, “téra” ou “téro” no lugar de “tereré”, num processo natural de apócope por que passam algumas palavras.

A palavra é onomatopeica: “tereré” refere-se ao som emitido a partir da última tragada do bulbo. Este som é implicitamente exigido na cerimônia de tereré avisando que foi totalmente consumido o que foi preparado, deixando o recipiente pronto para a próxima pessoa servir. Tal como acontece com o mate (quente), não se consome o tereré até finalizar a sua vez. A palavra “obrigado” define que a guampa seja passada por quem não quiser mais beber.

No Paraguai

A bebida tereré é uma tradição inerente ao Paraguai, mas há variações regionais sobre a sua preparação e formas de consumo. Por exemplo: o “tereré russo” é popular na parte sul do Paraguai, especialmente no departamento de Itapúa. Foi criado quando os brancos russos, como o capitão Blinoff, tendo sido expulsos da sua pátria e hospedados no Paraguai, ajudaram o Paraguai na Guerra do Chaco. Em vez de água, utiliza-se suco de laranja, e adicionam-se alguns aditivos para a erva da guampa. O tereré é ideal em tempos de calor, substituindo o mate. É muito bom para se manter hidratado e para compartilhar em roda de amigos (um grupo inteiro divide uma única guampa).

Em guarani, os paraguaios chamam de tereré rupá (literalmente, “cama ou ninho de mate frio”) uma espécie de aperitivo antes do tereré da manhã, que é habitualmente tomado por volta das dez da manhã, para a água fria não “bater” o estômago.

No Paraguai,o tereré tem um sentido tradicional, medicamentoso e até mesmo cerimonial. É um símbolo de amizade. O tereré com remédios refrescantes é ingerida pela manhã; já o tereré da tarde é engolido sem qualquer adição.

No Brasil

No Brasil, o tereré foi trazido pelos paraguaios, que entraram pelo país através do estado do Mato Grosso do Sul, e depois se espalhou para outras partes do mesmo. Por sua proximidade com o Paraguai, os estados do Mato Grosso do SulParaná e Rio Grande do Sul são os maiores apreciadores do mate gelado.

Por conta da migração inter-regional, pode-se observar o hábito em alguns outros estados, notadamente em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo (oeste do estado), Rondônia e também no Acre. E tem um consumo tão antigo quanto no país de origem, sendo a bebida consumida principalmente nos seguintes estados (os principais são estados fronteiriços):

 Mato Grosso do Sul

Guampas para tereré.

O Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado do Brasil a conhecer a bebida, sendo levada pelos paraguaios e índios guaranis kaiowás, que passaram a pertencer ao país quando da nova definição da fronteira entre Brasil e Paraguai, colocando imensos ervais nativos ao Brasil. E também todo ciclo brasileiro da erva-mate do tereré teve início na cidade de Ponta Porã, que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia; depois, expandiu-se para outras cidades e estados. E também há o fato de que Ponta Porã, quando descobriu o tereré, era ainda território paraguaio.

Em Mato Grosso do Sul, é consumido a todo momento, sendo uma bebida apreciada por todos, desde crianças até os mais velhos. Sempre o mais novo serve o mais velho. Só se pode parar se agradecer e todos da roda de tereré ouvirem. O estado é até hoje o maior produtor de erva-mate fora da Região Sul do Brasil.

A bebida aproxima muito os jovens, pois é muito comum ver, pelas cidades do estado, em tardes de sábados e domingos, rodas de jovens consumindo o tereré e falando diversos assuntos: esporte, política, televisão, entre outros. Uma erva muito conhecida é a Erva Mate Kurupi, de origem paraguaia, mas que tem uma fábrica na cidade de Dourados.

Outra marca de renome que produz erva de tereré no estado é a Campanário, com sede na cidade de Naviraí que revende a sua produção para outros estados do Brasil.

Fonte wikipedia.org

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