sexta-feira , 14 dezembro 2018
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DEPOIMENTOS MARCAM AUDIÊNCIA PÚBLICA QUE TRATOU DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA FRONTEIRA

A audiência pública promovida pela Câmara Municipal a pedido da vereadora Anny Espinola (PSDB) de Ponta Porã reuniu brasileiros e paraguaios para tratar da violência contra a mulher na fronteira, e teve momentos de grande emoção. Logo no início dos trabalhos, participantes do evento foram ao microfone para relatar situações vivenciadas com a violência. Uma delas teve final feliz. Outra, uma morte trágica.

Sirlei Roberto Flores foi ao microfone para relatar a vitória que obteve em sua vida. Livrar-se de um agressor que a atormentou por 14 anos seguidos e que quase a matou por diversas vezes. “Foram 14 anos de tortura, sofrimento. Calada. Ele me ameaçava com faca, revolver. Sempre fiquei quieta com medo de acontecer algo com minhas filhas. Até que um dia criei coragem. Foi no dia 27 de julho de 2017 que saí de casa e vim morar em Ponta Porã. Aqui, com apoio da família, do Centro de Apoio à Mulher, da Delegacia da Mulher, da Defensoria Pública. Estou feliz, consigo trabalhar em paz. Faz seis meses que ele não me ameaça mais. Por isso digo a todas as mulheres: não tenham medo. Não deixem o medo tomar conta. Tem que denunciar”, declarou Sirlei.

Por que aguentou tanto tempo viver daquela forma? Sirlei dá a resposta que, infelizmente, ainda é a prática de muitas mulheres que vivenciam situações semelhantes: “tinha medo até da minha sombra. Ele me ameaçava, falava que iria acabar comigo, que iria levar minhas filhas embora, que iria me matar e ficar com minhas filhas. Eu entrava em pânico. Finalmente tive coragem e decidi pegar minhas filhas, sair de casa e mudar de cidade. Foi aqui em Ponta Porã que encontrei apoio para denunciá-lo e, hoje, graças a Deus, posso viver em paz perto de quem amo e de quem me ama”.

O segundo relato da tarde foi de um pai que, infelizmente, perdeu a filha, jovem, cheia de vida, profissional competente, carreira brilhante pela frente. O vereador Marquinhos (PSDB), relatou emocionado, o episódio violento que resultou na morte da filha, a médica Nislaine Colman Benites, assassinada no local de trabalho pelo ex-companheiro. “Quero dizer aos pais e mães aqui presentes: sejam firmes com suas filhas quando ficarem sabendo que elas são vítimas de agressões dos companheiros ou dos ex-companheiros. Tem que denunciar. Não pode ficar quieto. Quando eu falava com minha filha sobre isso ela dizia que não iria acontecer nada grave, para eu não me preocupar. O rapaz fez de conta que estava tudo bem e, sorrateiramente, preparou um plano para acabar com a vida dela. E matou. Fugiu para o Paraguai e, se não fosse o bom trabalho da polícia paraguaia, hoje ele estaria impune. Foi feita justiça, mas minha filha não volta mais. Deixou um abismo de saudade em nossos corações. Portanto peço a todos que não deixem a violência prosperar. Tem que denunciar. Vai até as autoridades. A Delegacia da Mulher de Ponta Porã faz um trabalho heroico. Aproveito para pedir ao governador Reinaldo Azambuja que olhe com mais carinho para nossa cidade. Construa uma estrutura melhor para a polícia, a Delegacia da Mulher. As mulheres vítimas de violência precisam de acompanhamento psicológico. E isso também precisa ser proporcionado”, declarou emocionado, causando comoção na plateia.

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