segunda-feira , 24 setembro 2018
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MINERWORLD PERDE MÁQUINAS E FECHA “MINERAÇÃO” DE BITCOINS NO PARAGUAI

Investigada em Mato Grosso do Sul por pirâmide financeira, a empresa MinerWorld informou à Justiça que teve máquinas de sua “mineradora” de criptomoedas retiradas de Hernandarias, no Paraguai.
Segundo a empresa, o caso foi em 22 de maio, quando outrora clientes se aproveitaram da situação de fragilidade do local, surpreenderam os funcionários e retiraram as máquinas a título de pagamento. Conforme a assessoria de imprensa da empresa, não foi furto.

Segundo o site de comunicação http://www.amambaynews.com, “Faz-se necessário destacar que, a empresa em momento algum afirmou que as máquinas haviam sido furtadas ou roubadas das dependências da Mineradora, mas sim, que clientes haviam se aproveitado da fragilidade da empresa para retirada de máquinas em pagamentos por seus créditos, que foi realizada com o acompanhamento de autoridades paraguaias”, informa.

Na sequência, a diretoria retirou todas a máquinas do galpão de mineração no dia 29 de maio para não ter mais prejuízos. Segundo a defesa, a empresa busca local apropriado e seguro para realocação do maquinário e espera que no prazo máximo de 60 dias consiga reativar a operação.

A MinerWorld promete informar a nova localização da operação de mineração de criptomoedas se o endereço for mantido em sigilo na ação civil coletiva que tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande.

Ainda segundo a MineWorld, foram interrompidas a captação de novos clientes conforme a determinação da Justiça, mas mantido o funcionamento da mineradora em Hernandarias para que patrimônio não se deteriorasse, para que a produção fosse utilizada na manutenção básica das atividades da empresa e acúmulo de criptomoedas para pagamento dos filiados. A principal propaganda era do bitcoins. A empresa também nega que a retirada do maquinário seja golpe.

Colaboração – O MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que deflagrou a operação Lucro Fácil, anexou o depoimento de Zully Daniela Acosta Ortiz, que se identificou como ex-sócia da MinerWorld no Paraguai. Ela mora em Hernandarias e se apresentou espontenamente, acompanhada por advogado, ao promotor Luiz Eduardo Lemos de Almeida, em Campo Grande.

Zully relatou a retirada das máquinas e que brasileiros e paraguaios estão em situação similar: sem receber o capital investido e o lucro prometido. De acordo com ela, a intenção é colaborar com obtenção da verdade e fazer Justiça.

Foram anexados documentos sobre a investigação contra a empresa no Ministério Público do Paraguai. Em abril do ano passado, foram realizadas buscas na empresa, num shopping de Ciudad del Leste.

Operação Lucro Fácil foi realizada em 17 de abril. (Foto: Liniker Ribeiro)
Operação Lucro Fácil foi realizada em 17 de abril. (Foto: Liniker Ribeiro)

Lucro Fácil – A operação Lucro Fácil foi realizada em 17 de abril pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Os mandados foram cumpridos nas sedes das empresas MinerWorld, Bit Ofertas e Bitpago, em Campo Grande e São Paulo, além das residências dos respectivos sócios.

A suspeita de pirâmide foi denunciada à CVM (Câmara de Valores Imobiliários), que acionou o MP/MS no ano passado. A Câmara de Valores Mobiliários concluiu que a MinerWorld aparenta dispor proposta fraudulenta com características de pirâmide financeira.

Mineração – O processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competiam entre si na resolução de problemas matemáticos. Além da “mineração”, é possível possuir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptomoeda ao vender coisas. (Matéria editada às 11h12 para acréscimo de informações).

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