terça-feira , 18 dezembro 2018
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VEREADOR DIZ QUE “ZONA AZUL” NÃO RESOLVE PROBLEMA DO TRANSITO E SO VISA ARRECADAÇÃO EM PONTA PORÃ

Durante audiência pública promovida pela Câmara Municipal na quarta-feira, 28 de março, ficou evidenciada que a implantação da “Zona Azul” na cidade gera pontos de vista diversos. O comércio estabelecido na área central se manifestou a favor. Mas, representantes de diversos setores da sociedade local se mostraram receosos ou contrários à adoção desta medida e de mais uma taxa para a população de Ponta Porã.

Entre os vereadores, as opiniões sobre a criação do estacionamento rotativo pago na área central da cidade, são divergentes. O presidente da Câmara Municipal, Candinho Gabínio (PSDB), é a favor. “Sou favorável a este tipo de estacionamento no centro da cidade, pois do jeito que está não pode ficar. Hoje ninguém consegue estacionar no centro. O comércio está sendo penalizado, pois quando a pessoa quer ir numa loja comprar alguma coisa não encontra lugar para estacionar, a mesma decide ir embora. Muitas vezes vai ao Paraguai fazer suas compras. Temos que defender nosso comércio, principal gerador de empregos em nossa cidade”, frisou Candinho.

Ele destacou que a maioria dos comerciantes estabelecidos na área central é favorável à criação da zona azul. “O que estamos discutindo aqui não é a adoção da Zona Azul na cidade inteira. Apenas na área central onde hoje é impossível estacionar”, disse o presidente da Câmara.

Quem também se manifestou favorável à medida foi o vereador Agnaldo Miudinho, autor do projeto que se tornou Lei na administração passada. “Temos que ajudar a salvar nosso comércio. A zona azul já existe em muitas cidades brasileiras e funciona muito bem. Nossa população não terá prejuízos, pelo contrário. Hoje apenas alguns têm direito de estacionar no centro. É preciso democratizar a ocupação do espaço. Com isso estaremos permitindo dar um fôlego para o comércio local”, argumentou, informando que a zona azul só deverá funcionar num trecho entre as ruas Aral Moreira e Duque de Caxias, além da Rua Paraguai até a Antônio João.

O vereador Farid Afif (MDB) se manifestou contrário à instalação da zona azul na cidade. “Temos problemas muito sérios envolvendo o trânsito em nossa cidade e a zona azul visa resolver apenas um desses problemas. E penaliza a população, pois fica fácil resolver problema criando taxa. É mais fácil onerar a população”, criticou. “Estamos apresentando uma proposta alternativa, que é a criação do estacionamento rotativo consciente, sem que as pessoas precisem pagar para estacionar na área central. Essa proposta envolve também mais medidas que vão garantir maior acessibilidade, pois ninguém aguente mais o que está ocorrendo”.

Paulinho Roberto (PT), Edinho Quintan (PHS)a e Jelson Bernabé também se mostraram contrários à zona azul. “O povo não quer mais uma cobrança. Precisamos buscar uma forma de ampliar a oferta de vagas na área central mas de forma que isso não gere mais custo para a população”, afirmou Paulinho.

“Antes de cobrar taxa é preciso agir com inteligência. Defendo a adoção de medidas práticas que vão permitir o aumento de vagas para estacionar no centro da cidade. Também a melhoria no trânsito. O mini anel rodoviário tem que ser construído já”, argumentou Edinho Quintana.

O vereador Jelson Bernabé (PRB) também se manifestou durante a audiência pública realizada na Câmara Municipal. “Antes de criar mais uma taxa á preciso reurbanizar, reestruturar a área central. Será que todos os problemas serão resolvidos com cobrança de impostos e taxas? Não posso ir contra a voz do contribuinte por isso sou contra”.

Rafael Modesto (PHS) demonstrou ser a favor da criação da zona azul. “Já passou da hora de termos a Zona Azul em Ponta Porã. Atualmente ninguém consegue achar uma vaga para estacionar o carro quando precisa ir ao médico, comprar gêneros de primeira necessidade no comércio. Se criarmos novas vagas e não taxar, não vai adiantar nada. Penso que a zona azul garante geração de mais empregos, mais ganhos para os comerciantes e para os funcionários do comércio”.

“Somente a cobrança da taxa não vai resolver o problema. Temos que resolver problemas crônicos como a péssima qualidade do transporte coletivo, a implantação de ciclovias, tirar os caminhões do centro com a conclusão do anel viário, maior fiscalização por parte da Guarda Municipal, ampliar o número de vagas para estacionar, criando a zona verde na área central”, declarou o vereador Daniel Marques, também contrário à adoção da zona azul.

Otaviano Cardoso (PSDB) apresentou os motivos para ser contra a zona azul. “Entendo que é possível aumentar consideravelmente a quantidade de vagas para estacionar na área central. Hoje temos cerca de 1.100 vagas. É possível criar mais 500 vagas com o melhor aproveitamento do espaço, inclusive nos terrenos existentes nos fundos das lojas estabelecidas em imóveis grandes. Uma negociação com o poder público pode resultar na criação de estacionamentos alternativos nestes imóveis que são enormes. Outra medida urgente é ampliar o número de vias para desafogar o trânsito na área central. Hoje só temos uma entrada e uma saída que é a Avenida Brasil. Para isso é preciso negociar como Exército a criação de vias dentro da área cuidada pelos militares. O Exército não precisa de tanta terra. Se precisasse não arrendava sua área para o plantio de soja”, argumentou.

O vereador Marquinhos (PSDB) defendeu a criação da zona azul. “Quando o projeto veio aqui na Câmara, em 2013, eu votei a favor. Votei pela qualidade de vida, pois um estacionamento bem organizado na área central faz com que as pessoas ganhem tempo, tenham conforto e segurança para deixar seus veículos enquanto resolvem alguma coisa no centro. Não dá mais para ficar como está, pois a cidade cresceu muito, aumentou a quantidade populacional. São milhares de estudantes de fora que circulam na área central todos os dias. Melhor infraestrutura na cidade vai representar mais qualidade de vida para a população”.

POVO FALOU

Diversos representantes da sociedade organizada pediram para falar e puderam livremente manifestar suas opiniões na Tribuna da Câmara. Analia Alves, representando a Associação dos Deficientes Físicos disse que antes de se criar a Zona Azul é preciso rever pontos importantes no trânsito de Ponta Porã. “Se as pessoas tiverem transporte coletivo de qualidade vão preferir andar de ônibus, diminuindo a quantidade de veículos circulando na cidade. Atualmente, este serviço que é uma concessão do poder público municipal, é de péssima qualidade”, declarou.

“Sou contra a implantação da Zona Azul antes de se discutir como poder público a adoção de políticas de ocupação e utilização do solo em nossa cidade. Isso vai mais além da simples criação de vagas para estacionar. Temos nossas peculiaridades de cidade fronteiriça onde é enorme a quantidade de veículos de procedência estrangeira circulando pelas nossas ruas. Sem discutir e encontrar saídas para os problemas do trânsito não se pode criar a zona azul”, argumentou Alessandra.

O instrutor de autoescola, Emerson Machado, disse que a Zona Azul tem apenas um objetivo: “arrecadação. Apenas isso. Não temos nem plano diretor para apontar soluções para as falhas que existem na área central. E a população não pode pagar pelas falhas”.

Por sua vez o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã, Amaury Ozorio Nunes, defendeu a criação da Zona Azul. “Estou falando em nome da maioria absoluta dos comerciantes estabelecidos na área central. E a opinião da maioria é de que a Zona Azul se tornou uma necessidade. Não temos onde estacionar e, se não houver uma melhor distribuição dos veículos, não será possível ocorrer melhoras para o comércio. Sem a criação da Zona Azul o comércio não cresce mais”, enfatizou.

Segundo ele, “hoje existe o caos. Imagine quando forem instalados os free shops?”, questionou. “É doído ter que cobrar. Mas entendemos que se tornou um mal necessário. Posso garantir que os empresários são favoráveis à Zona Azul que vai ajudar a desenvolver o município, uma que o comércio estará gerando mais empregos e renda”.

A cidade possui mais de 30 mil veículos, constituindo-se na terceira maior frota de Mato Grosso do Sul, perdendo apenas para Campo Grande, Dourados e Três Lagoas. Por isso, o tema gera muita discussão e o objetivo da Câmara Municipal foi dar voz a todos os lados envolvidos.

Durante a audiência pública, uma equipe de consultores do Rio de Janeiro apresentou alguns números interessantes. Segundo eles, a criação da zona azul permitirá oferecer cerca de 2.600 vagas de estacionamento na área central da cidade. Com a cobrança de R$ 2 por hora para estacionar no espaço delimitado, seria possível arrecadar mais de R$ 2,5 milhões ao ano. “Recursos que podem ser investidos na melhoria do trânsito da cidade, bem como em campanhas e ações que visam reduzir os acidentes envolvendo condutores de veículos e pedestres. Além disso, os moradores terão um trânsito muito melhor, proporcionando comodidade a todos”, disseram os consultores Gustavo Moraes, advogado e Jorge Eloy, especialista em tecnologia da informação que inclusive apresentou um aplicativo que já funciona em centenas de cidades brasileiras, contribuindo para auxiliar os condutores de veículos a encontrarem vagas para estacionar em locais de grande movimentação.

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