segunda-feira , 11 novembro 2019
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VEREADORES E AGRAER DEBATEM SOLUÇÕES PARA A DERIVA DE PULVERIZAÇÃO DE AGROTÓXICOS NO ASSENTAMENTO ITAMARATI

Vereadores de Ponta Porã e a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) realizaram nesta quinta-feira, 08 de junho, uma audiência pública para debater os efeitos da “Deriva de Pulverização de Agrotóxicos”.

O debate aconteceu no Salão Paroquial do Distrito de Nova Itamarati e foi conduzido, neste ato, pela presidente da Comissão de Obras e Serviços Públicos, Desenvolvimento, Produção e Meio Ambiente, vereadora Anny Espinola, e pelo secretário, vereador Farid Afif.

O tema abordado, a deriva, acontece quanto os produtos químicos de proteção, ou seja, os agrotóxicos, aplicados nas lavouras não são depositadas na área alvo. Isso ocorre devido ao carregamento das gotas, escorrimento, evaporação e outros processos. Há três tipos de deriva, a endoderiva, que é a perda do produto dentro da própria lavoura, a exoderiva, que a perda do produto fora dos domínios da lavoura, portanto a qual tem prejudicado os produtores do Assentamento Itamarati com prejuízos em seus produtos e a volatilização, perda de gotas devido as condições climáticas desfavoráveis.

De acordo com o professor do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), o engenheiro agrônomo Antônio Luiz Viegas Neto, os agrotóxicos são produtos essências para a produção em larga escala. “Estes produtos precisam ser utilizados, mas devem ser bem utilizados para que haja bons resultados aos produtos agrícolas. Para isso alguns fatores devem ser considerados como a técnica de aplicação, condições climáticas no momento da aplicação, as condições operacionais utilizadas e a composição da calda, para não haver problemas”, explicou o engenheiro.

Sem os devidos ajustes no sistema do equipamento de pulverização e aplicação sem condições climáticas favoráveis o risco de deriva é ainda maior. O diâmetro e peso das gotas são os fatores que mais causam deriva, quanto mais finas, mais suscetibilidade em elevar deriva. A direção e velocidade do vento deve ser levada em consideração, assim como a temperatura e umidade relativa do ar.

Quando se trabalha com a velocidade e direção certa dos ventos é possível ter maior controle da deriva, já as altas temperaturas (superior a 30 °C) diminuem a umidade do ar e aumentam a evaporação das gotas, aumentando as chances do problema.

Devido esse problema, alguns pequenos produtores do Assentamento Itamarati perdem suas plantações de subsistência. Segundo o engenheiro agrônomo da Agraer, Edson Mondadai, há relatos de famílias que perderam toda sua produção e precisaram ir embora da região. “O trabalhador vem lutando para produzir o alimento de cada dia, mas que infelizmente, às vezes, encontra esses problemas na pulverização de agrotóxico. Nós sabemos que há alternativas para não utilização destes produtos, como produção orgânica. A deriva é um problema seríssimo que afeta as famílias, os jovens desanimam quando os pais perdem as lavouras de quiabo, cenoura, entre outras, e acabam indo embora do Assentamento Itamarati. Se tornando um problema social e preocupante, que deve ser resolvido”, explanou Mondadai.

O engenheiro agrônomo da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Carlos Eduardo Cardozo, falou a respeito da Legislação de Práticas de Pulverização disse que o uso consciente e a manuseio correto dos agrotóxicos é de interesse coletivo. “Grande parte das coisas que podem dar erradas na agricultura está relacionada ao uso incorreto de agrotóxico. Neste contexto, a Iagro desenvolve o trabalho de fiscalizar os agrotóxicos, o comércio, a prestação de serviços e o uso deste produto, pois o mau uso pode prejudicar toda sociedade, assim a Iagro representa o interesse da população para que haja o uso consciente. Existem penalidades quando é cometido algum tipo de infração, seguindo a Legislação Federal e Estadual. A população também pode fazer denuncias”, explicou.

Existem vários perigos ligados ao uso destes produtos químicos, mas até hoje não foi desenvolvido agricultura orgânica para produzir em grande escala, então as pragas existentes atacam de maneira muito agressiva a produção, caso o produtor não utilize os agrotóxicos ele perderá toda sua plantação.

Para findar com esses transtornos é necessário que os agricultores sigam corretamente as técnicas e Legislação. Desta maneira, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Porã, Otaviano Cardoso, juntamente com os demais vereadores, se colocaram a disposição. “Sabemos o grande potencial de produção que o Assentamento Itamarati possui, porém com o mau uso dos agrotóxicos, além do problema da deriva afetar drasticamente o cultivo dos agricultores familiares, existe o problema com a contaminação do meio ambiente, afetando plantas e animais e causando problemas de saúde, como foi apontado pelos pequenos produtores, que já sofreram as consequências da deriva. Trabalharemos sempre em busca de melhorias e soluções para o Assentamento Itamarati. Contem com nosso apoio”, disseram os vereadores.

Serviço

Para mais informações a respeito da Legislação de Pulverização de Agrotóxicos é só acessar o site da Iagro: http://www.iagro.ms.gov.br. O telefone para denuncias é 0800 647 2788.

Foto: Lécio Aguilera

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